Trilhas Aquáticas: O Que São e Como Fazer

Trilhas aquáticas provavelmente não são a primeira coisa a vir na sua cabeça quando você pensa em fazer uma trilha, certo? Então pare pra pensar a respeito: considere a possibilidade de desfrutar de toda a calma da natureza e ter uma grande aventura enquanto desliza sobre as águas.

É por isso que as trilhas aquáticas existem. Seja em águas doces ou salgadas, elas geralmente são feitas de caiaque, existindo para proporcionar uma experiência única e inusitada ao trilheiro, que normalmente costuma trilhar a pé ou de bike. Das rotas aquáticas existentes no Brasil, a mais famosa é a  Rota dos Pioneiros, conhece?

A Rota dos Pioneiros

 Com 388 km, ela é a maior trilha aquática do Brasil. Esta Trilha de Longo Curso tem esse nome devido à sua história de quase 500 anos. A Rota percorre o Rio Paraná, que foi palco de importantes batalhas envolvendo povos indígenas, bandeirantes, jesuítas e exploradores espanhóis — pioneiros de todos os tipos

Como toda Trilha de Longo Curso, a Rota dos Pioneiros possui uma pegada própria e exclusiva. A escolhida conta com um bote atravessado por um remo, simbolizando a natureza aquática do percurso, que atravessa o Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná. Os Rios Ivinhema, Paranapanema e Piquiri são afluentes do Rio Paraná também contemplados pela Rota. 

A pegada da Rota dos Pioneiros simboliza suas trilhas aquáticas
A pegada da Rota dos Pioneiros simboliza suas trilhas aquáticas

Trajeto da Rota dos Pioneiros

Como a maior parte das trilhas aquáticas, a Rota dos Pioneiros deve ser percorrida de caiaque. Ela começa no Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo, no reservatório de Rosana e segue em seu primeiro setor até a Usina Hidrelétrica de Rosana, na Estação Ecológica do Caiuá, no Paraná. Já adentrando a Área de Proteção Ambiental (APA) das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, o segundo setor parte tanto da Estação Ecológica do Caiuá quanto do Balneário Municipal de Rosana em São Paulo e segue até o Porto São José no Paraná.

O trajeto segue com destino ao Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, no Mato Grosso do Sul, fechando o terceiro setor em sua sede, marginal ao rio que dá nome ao parque. O setor quatro vai até o Porto Camargo de volta ao Paraná, passando pelo Porto Caiuá, Porto Natal e pelo Parque Nacional de Ilha Grande (PNIG). Alternativamente este setor pode ser percorrido pelo rio Ivinhema até o Porto Caiuá, passando pelo Porto Felício até chegar novamente ao PNIG e Porto Camargo.

Foto: Letícia Nunes Araújo -  O Eco.
Foto: Letícia Nunes Araújo – O Eco.

Partindo do Porto, o trajeto segue pelo setor cinco até o Porto Morumbi no Mato Grosso do Sul, passando pelas ilhas do PNIG e pela Praia da Amizade, Porto Santo Antônio e Sete Praias. Finalmente o sexto e último setor passa pela ilha São Francisco, lagoa Saraiva e Porto do Cano, até chegar no Centro Náutico Marinas em Guaíra, encerrando os 381 quilômetros da trilha aquática.

Entendendo a história dos Pioneiros

A região do Rio Paraná favorece as trilhas aquáticas, pois era um local de difícil acesso terrestre e, na época colonial, só podia ser alcançado por via fluvial. A área foi de propriedade espanhola até meados do século XVII, e sua principal atividade econômica colonial era a exportação de erva-mate.

As trilhas aquáticas são favorecidas pela geografia da região - Foto: Jornal Ilustrado.
As trilhas aquáticas são favorecidas pela geografia da região – Foto: Jornal Ilustrado.

Quase vinte missões jesuíticas foram enviadas à região, a fim de apaziguar os constantes conflitos com os indígenas. Cerca de 200 mil nativos foram abrigados por estas missões. A capital da região, Ciudad Real del Guairá, foi abandonada em 1632 após constantes ataques de bandeirantes paulistas, que visavam expandir sua área geográfica. Um ano antes, cerca de 12 mil indígenas e 700 embarcações desceram o Rio Paranapanema, fugindo dos bandeirantes.

Quando os bandeirantes se foram, os povos nativos voltaram a ocupar a região, mas logo viram a chegada dos chamados novos pioneiros: imigrantes alemães, japoneses, portugueses e italianos, assim como cafeicultores paranaenses. Foi apenas no final dos anos 1700 que os portugueses fundaram o Posto Militar de São José da Pedra Furada do Piquiri.

As trilhas aquáticas da Rota dos Pioneiros hoje

A Rota dos Pioneiros foi oficialmente lançada em 2019, começando com um pequeno trecho terrestre de quase 3 km. A iniciativa se deu como parte das comemorações após a extinção de um incêndio de grandes proporções que atingiu a região. Nos meses seguintes, a parte aquática começou a ser implementada, e a Rota dos Pioneiros se tornou a maior trilha aquática brasileira.

Atualmente, a Rota abrange diversas Unidades de Conservação, como o Parque Nacional de Ilha Grande, a APA das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná e o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema. Essas Unidades oferecem uma boa quantidade de trilhas tanto terrestres quanto aquáticas.

Placa da Rota dos Pioneiros - Foto: RETUR.
Placa da Rota dos Pioneiros – Foto: RETUR.

Gostou da ideia de fazer uma trilha aquática? Com seus 388 km, a Rota dos Pioneiros pode ser completada em cerca de 20 dias. Se você se interessa por essa aventura, dá uma lida no nosso post sobre Como se preparar para uma Trilha de Longo Curso, e boa trilha!